segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cobertores para o frio, botijas para o azeite






Todo mundo já ouviu aquele ditado que diz: "Deus só dá o frio de acordo com o cobertor". Em outras palavras, a gente só passa por problemas que conseguimos resolver, ou, se não conseguimos resolver, pelo menos conseguimos suportar. Isso é verdadeiro, e é muito bem atestado pela Palavra de Deus, que declara que "não veio sobre nós tentação que não fôssemos capazes de suportar", e que "Deus, juntamente com a provação, nos envia o escape". Disso todo mundo sabe, e pouco há o que se discutir.



Um outro lado dessa moeda, porém, tem sido esquecido. Assim como o mal que nos sobrevém, não ultrapassa os limites de nossa força, o bem que recebemos também não ultrapassa os nossos limites.
Encontramos na Bíblia o relato de uma mulher, que num período de dificuldades, estava cheia de dívidas. Sem seu marido por perto (ela era víuva), não havia como conseguir dinheiro para sanar o débito, e só lhe restava entregar seus dois filhos como escravos aos credores. Apesar de parecer um relaxo da mãe, com certeza os meninos estariam melhor como escravos, pois pelo menos teriam o que comer e onde dormir, já que naquela época nem todos os escravos eram tratados como os europeus os trataram nos últimos séculos.
Sem esperança alguma, essa mulher recorre a ajuda de um profeta, Eliseu. Depois de explicar sua situação ao homem de Deus, Eliseu perguntou à mulher o que ela possuía em casa, ao que obteve a resposta: "não possuo nada além de uma botija de azeite". E é aí que começamos a aprender com essa história...
Seguindo as ordens de Eliseu, a mullher pediu emprestadas as vasilhas e botijas de suas vizinhas, tantas quantas foi capaz de carregar. Com a ajuda dos dois filhos, logo a casa estava cheia de botijas vazias. A mulher então, começou a derramar o azeite de sua única botija cheia sobre as botijas que estavam vazias, e, enquanto houve botijas vazias para serem cheias, havia azeite sendo derramado miraculosamente da primeira botija. Naquele momento, o azeite que aquela mulher possuía foi multiplicado até que todas as botijas que estavam na casa ficassem cheias.



Uma vez que as botijas vazias acabaram, acabou também a multiplicação do azeite. Quando não houve mais espaço, não houve mais nada que ocupasse espaço.

Pra mim, a maior lição dessa história, é que o bem que Deus deseja nos proporcionar, é exatamente igual ao bem que somos capazes de receber. O tamanho da benção de Deus pra nós, é o mesmo tamanho do espaço que disponibilizo para Deus. Se lhe ofereço pouco espaço, então só receberei o suficiente para preencher esse pequeno espaço. Se disponibilizo muito espaço, então receberei bençãos maiores, que preencham esse grande espaço. Se não disponibilizo espaço algum, então não recebo nada.
Assim como o frio vem de acordo com o cobertor, o azeite vem de acordo com a quantidade de botijas que tenho para encher. Se só passo por dificuldades que posso suportar, também só recebo as bençãos que sou capaz de carregar.
Se Deus multiplicasse o azeite daquela mulher de forma que transbordasse as botijas, se espalhando pelo chão, saindo pelas portas, e escorrendo pelas ruas, todo o azeite que transbordou seria imprestável, pois estaria sujo, e seria impossível recolhê-lo. Qualquer benção que eu receba, maior que meus braços, eu deixarei cair, e se tornará inútil pra mim.
Com o azeite multiplicado, a mulher pôde vender o necessário para quitar suas dívidas (já que o azeite era um item de mercado de valor considerável), e sobreviver do restante. Mas nunca mais o azeite se multiplicou, porque não haviam mais vasilhas vazias, e nem havia necessidade de mais azeite, pois o que ela havia recebido era suficiente.
Infelizmente escutamos todo tipo de ladainha cretina, muitas vezes vinda dos púlpitos das igrejas, de que Deus nos dará mais do que precisamos, só pra que possamos esbanjar como se fôssemos um bando de esnobes. Mas a verdade é bem diferente! Deus só nos concede o que é suficiente, e devemos nos contentar com o que é necessário. Se recebemos algo além disso, então significa que devemos compartilhar, mas nunca esconder, porque tudo o que é demais acaba estragando, e a cobiça desenfreada só leva à morte.
Portanto, se você tem recebido pouco, é porque tem dado pouco espaço para o que é bom. Se quiser ter muito, então precisa ter muito espaço vazio. Se já preencheu todo espaço que há em você, com seu ego, com seus problemas, com seus relacionamentos e com sua rispidez, infelizmente não haverá espaço para nada mais além disso.
Pra terminar então, deixo esse humilde conselho: Esvazie suas vasilhas do que é inútil e reserve espaço para a provisão. Porque, se houver espaço, haverá multiplicação...

Nenhum comentário:

Postar um comentário