terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobre conchas e a fé nos sentidos...










Não sei bem quando foi a primeira vez que vi uma concha do mar, mas desde que me lembro, sempre as achei interessante. Especialmente quando meus pais me disseram que se as aproximasse do ouvido escutaria o mar lá dentro... que idéia legal! Quando ouvi isso fiquei pensando como seria possível... será que o som teria sido colocado lá pelas sereias? Sei que isso parece ridículo, mas pensei mesmo nisso... rsrsrsrs.

Pouco tempo depois meu pai me contou que na verdade aquilo era só o som do ar passando pela concha. Fiquei com o pé atrás, achei que meu pai estivesse mentindo. Depois, descobri que o mesmo som se podia ouvir nos copos, nas xícaras, nos canos, e até mesmo nas mãos, se posicionadas do jeito certo. Daí concluí que não poderia ser obra das sereias... afinal de contas, elas não frequentavam os ármarios de louça, nem os canos, e muito menos minhas mãos. A notícia não me deixou triste, pelo contrário, logo percebi que poderia escutar o som onde quisesse, independente de ter ou não uma concha, e isso pra mim era algo muito bom, já que morava distante da praia.

E o que as conchas tem a ver com a fé? Nada. Mas a forma como costumam tratar a fé é muito semelhante à forma com que tratei as conchas. As pessoas ouvem a Palavra, creêm e passam a seguir sua nova religião. Logo, são ensinadas que precisam "sentir" a presença de Deus. Frases como: "se você não sentiu a presença de Deus venha aqui que eu quero orar por você" começam a fazer parte do dia a dia do novo convertido. Essas frases não possuem má intenção, e nem qualquer erro em si mesmas, mas o sentido, a lição embutida nelas é um tanto quanto venenosa para a fé ainda recente.

Desde muito novos, os cristãos modernos têm sido indiretamente ensinados que "sentir" Deus é a prova de sua presença e atuação, e que se não sentem nada, então devem ter algum problema, algum pecado, algum erro, alguma coisa que atrapalhe o "sentimento" de se manifestar. Isso é perigoso por dois motivos básicos:





1) A fé nos sentimentos não é fé. De acordo com a Bíblia, a fé é "o firme fundamento das coisas que se esperam, e a certeza das coisas que não se veêm", assim, se posso perceber com meus sentidos orgânicos (tato, olfato, paladar, visão e audição), então deixa de ser algo que espero ou que não vejo, pois se posso tocar ou sentir, então está ao meu alcance, não preciso mais esperar. Se colocar a base da minha confiança, da minha crença, nos meus sentimentos, então acabo por destruir a minha fé. Se vejo, sinto ou toco, logo, não há mais fé.

2) Os sentimentos podem ser alterados por razões orgânicas. Nem preciso citar os nomes das centenas de alucinógenos capazes de mudar o estado de consciência e o humor do ser humano. As substâncias capazes de alterar os sentimentos humanos são tantas, e agem de formas tão diferentes que muitas vezes até mesmo coisas costumeiras, que comemos durante o dia podem influenciar nosso "estado de espírito". É ingenuidade demais acreditar que os nosso sentimentos são exclusivamente "sobrenaturais", se fosse assim, não encontraríamos qualquer coisa parecida com nossos sentimentos entre os animais, mas não é isso o que vemos. Se possuímos um corpo, é mais que óbvio que todas as reações causadas pelo espírito tenham meios químicos de se manifestarem em nós, assim como também, é óbvio que os meios químicos podem influenciar nosso "estado de espírito". Se somos um único ser (e isso é inegável), embora possamos ser corpo, alma e espírito, ou somente corpo e alma, ou seja lá como querem chamar, somos uma coisa só, estamos totalmente ligados a nós mesmos, o que significa que todas as partes influenciam-se mutuamente. Em outras palavras: meus sentimentos podem ser influenciados pelo meu espírito, tanto quanto pela barra de chocolate que acabei de comer... E se meus sentimentos são tão facilmente influenciáveis, não podem ser a base de algo tão importante como a fé.


Assim como o "som do mar" se reproduz nas conchas do mar, mas também pode ser reproduzido por um copo de vidro, que nunca esteva na praia, os "sentimentos" que os cristãos experimentam nem sempre são exclusivos dos cristãos. Existem seguidores de outras religiões que experimentam sensações muito parecidas, e algumas vezes até mais intensas. Digo isso porque já foram realizados testes nesse sentido e as reações químicas que aconteciam em cristãos eram as mesmas produzidas por algumas substâncias e também pela meditação transcendental.

Atentem, porém, para o fato de que não estou querendo dizer com isso que todas as religiões são iguais e produzem o mesmo resultado. Só quero dizer que quando confiamos unicamente em nossos sentimentos podemos ser enganados pelo "truque da concha", que também pode ser o "truque do copo". É por isso que não podemos confiar nos sentimentos como o termômetro da nossa vida espiritual. Talvez, a chave para compreender onde está a verdadeira experiência, de onde vem o verdadeiro "som do mar", não seja o que se pode ouvir, mas o que se pode produzir. Pela árvore conhecemos o fruto. Uma religião que valoriza a experiência, ao ponto de tornar seus seguidores apaixonados pelos próprios sentimentos, não é nada mais que uma ilusão desenfreada, que torna o homem menos que um animal regido por instintos. Se, porém, vimos a produção de um controle, cada vez mais coerente e equilibrado dos sentimentos, então teremos encontrado a Verdade. E, para mim, é aí que reside a diferença entre a concha, o copo e o verdadeiro mar: só um deles produz a realidade acompanhada da sensação, e não o inverso.

As experiências que temos são válidas, os sentimentos que experimentamos são reais, embora possam ser causados por múltiplas causas diferentes, espirituais ou químicas. Mas nunca devemos nos deixar guiar unicamente pelos sentimentos, especialmente quando o assunto é a crença ou não em uma determinada doutrina, ou ainda, uma decisão importante para a nossa vida (em todas as áreas). Se os nossos sentimentos são tão facilmente mudados e enganados, não podemos confiar nos mesmos, precisamos de algo mais firme, mais inabalável, mais consistente e permanente. E é aí que nos deparamos com a Palavra de Deus, que permanece viva e eficaz.

É na Palavra que encontraremos a base firme para comparar o que é certo com o que é errado. É a Palavra que serve como "vara de medir", como modelo, como molde para os nossos pensamentos e sentimentos. Mas isso não vem de um suicídio mental ou coisa semelhante, mas sim da observação de que o que Nela se contêm, é praticável, razoável e agradável. Mas mesmo assim a escolha continuará sendo sempre nossa:

Ouvir a Palavra e seguir a Verdade,
ou
Encostar os ouvidos em uma concha e seguir o canto das sereias...









sábado, 11 de julho de 2009

De dar medo...



Nem dá pra explicar direito... já parou pra pensar em quanto o Universo é imenso? Não grande como um estádio de futebol, ou grande como um país, ou até mesmo grande como a Terra, mas GRANDE de verdade!!!!!!!!!!! Tão grande que até mesmo o sol fica parecendo uma migalha microscópica!!!!
Se o Universo fosse reduzido até ficar do tamanho do planeta Terra, a Terra ficaria do tamanho de um átomo, e nossa galáxia não teria mais do que 9 mts de diâmetro!
Nesse vídeo dá pra ter uma idéia do quanto o Universo é gigantesco. Nos últimos momentos é feita uma comparação, usando o exemplo de um avião. Se sobrevoássemos a superfície da maior estrela que conhecemos, a bordo de um avião, a 900 km/h, demoraríamos 1100 anos só pra dar UMA volta!!! É grande demais!!! E o mais assombroso é que essa estrela gigantesca é apenas uma, das mais de 100.000.000 de estrelas existentes em nossa galáxia. E algo ainda mais assustador é que existem milhões de galáxias além da nossa!!!
Não dá pra não temer a um Deus capaz de criar algo assim. Realmente a reação é de temor e tremor.
Mas, mesmo sem querer, assim que acabei de ver o vídeo não pude deixar de pensar automaticamente em uma pergunta: "Será que estamos sós num Universo tão grande assim?" Qual o motivo para existir tanto espaço, tantos lugares, para tão poucos habitantes?
Essa pergunta tem se tornado cada vez mais comum à medida que descobrimos mais sobre o Universo e sobre os astros que o compõem. A Igreja reluta em responder, seja afirmativamente ou negativamente, e na minha opinião, faz muito bem em ficar em silêncio. Se estamos sós ou não, faz pouca ou nenhuma diferença. A relação que Deus deseja ter conosco continua a mesma, as nossas responsabilidades não diminuem nem aumentam. Se estamos acompanhados, as distâncias são tão imensas que praticamente não temos chance alguma de manter contato, então, que diferença pode fazer?
Se Deus criou outros seres além de nós? E daí? Se Ele dá conta de cuidar de nós, porque não daria conta deles? Se Ele nos ama, porque não poderia amar a outros também? E se Ele não criou mais ninguém? E daí? Criar um número incontável de lugares potencialmente habitáveis e não colocar ninguém lá também não é problema. Se Ele tem poder infinito faz o que quer, do jeito que achar mais legal, desde que não se contradiga, é claro.
Esse tipo de discussão não dá resultado nenhum na prática. Mas que é legal pensar nisso, ah isso é...
Independente dos homenzinhos verdes estarem por aí ou não, cá entre nós, esse Universo que habitamos é show de bola não é mesmo??!!!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Contra a Parede...










"Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me."



Lucas 9.23

Cada cristão nesse mundo tem uma razão para gostar de ser chamado por esse nome. Uns por orgulho, outros por terem encontrado no cristianismo uma ajuda psicológica, muitos por terem encontrado nessa religião a sua válvula de escape das pressões do dia a dia, do sofrimento, do corre-corre, ainda há aqueles que encontraram consolo na doutrina da Ressurreição Final, mas infelizmente, não são muitos os que são cristãos porque encontraram ao Cristo.

Existem os simpatizantes do cristianismo, e até os que simpatizam com Cristo (mas não com o cristianismo). Todos falam de Cristo com um certo ar saudoso, de contemplação. Mas, mais uma vez, são bem poucos os que enxergam as dimensões do desafio que Jesus veio propôr ao homem.

Que Ele veio enviado pelo Pai, para viver como homem e morrer em nosso lugar, como o Cordeiro de Deus, pagando a dívida impagável que havíamos contraído pelo pecado, disso eu não tenho dúvidas. Mas que Cristo veio como um mestre, assim como outros, e que sua "filosofia" veio criar para nós um mundo feito de pétalas de rosas, disso eu duvido muito.

"Eu vim trazer fogo à terra, e que mais quero se já está aceso?" Disse o dócil Senhor em certa ocasião. Depois, para continuar, em outra situação suas palavras foram " eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos", e ainda "quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará". Dá pra acreditar?!

Cristo não veio oferecer uma filosofia de vida alternativa. Ele veio oferecer a vida eterna, que só pode ser encontrada em Um lugar, através de Um caminho, seguindo-se Uma Só Verdade, e, para que não houvessem dúvidas, Ele deixou claro qual era o caminho, a verdade e a vida verdadeira, dizendo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim."

Se quisermos mesmo ter uma vida eterna, Ele é o caminho, e para segui-lo a receita não é tão fácil como gostaríamos: "Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz..." Mais que uma nova forma de viver, Cristo trouxe ao homem um desafio: deixar de lado as próprias vontades, quando elas forem empecílios, e seguir o rumo que nos é dado, seja ele doloroso ou não.

O fato é que, diante de Cristo, ninguém pode ficar sobre o muro da indecisão, ou você o segue, ou não. E para segui-lo temos que negar a nós mesmos. Sim, porque muitas vezes as vontades que temos nos levam cada vez mais longes de Deus e de Seu amor. Quem de nós pode dizer que é perfeito? Eu não posso... e é por isso que se quiser seguir a Cristo, tenho que negar as vontades que me afastam daquilo que Ele ensinou sobre a vida. O problema mesmo começa quando a gente descobre que essas vontades que temos que negar, são, justamente, aquelas às quais vaidosamente, nos apegamos mais no decorrer da nossa vida.

Por outro lado, o desafio de Cristo, apesar de árduo e trabalhoso, traz consigo a chave da liberdade... porque se formos capazes de controlar as nossas atitudes, a despeito de nossos instintos, então nada mais poderá nos escravizar. Sim, porque vale a pena lembrar, que na maioria das vezes, não somos escravos de ninguém, mas conseguimos a proeza de nos prendermos e torturarmos sozinhos... de sermos escravos de nossos próprios pecados e deslizes.

Dizer que o ser humano é bom, é, no mínimo, uma mentira deslavada... portanto, uma vez que somos humanos, sermos escravos, ainda que de nós mesmos é algo extremamente doloroso.

E é por isso que Cristo, enquanto lançava seu desafio, seu chamado à cruz que cada um deve carregar, nos consolou dizendo: "Venham até mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo (ou seja, não sejam escravos de vocês mesmos, sejam meus), e aprendam comigo, porque sou manso e de coração humilde."



Se não conseguimos viver sem sermos escravos de algo ou de alguém... então prefiro ser escravo de Cristo, que é perfeito, que é amoroso e que supre como ninguém cada uma das minhas necessidades, inclusive a necessidade de ser livre...




domingo, 5 de julho de 2009

A Vaidade da vaidade






"Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade."



Eclesiastes 12.8






A explicação mais estranha que já ouvi sobre a vaidade foi a de que essa palavra significa: "vá idade", ou seja, "o tempo tá correndo e você tá ficando velho". Sei lá, me pareceu engraçado, mas um pouco fora da realidade. A palavra vaidade representa a inutilidade das coisas em geral, e não apenas da juventude. Vem daquilo que é sem valor, que é vão, por isso chamamos de vaidade. Uma pessoa vaidosa é uma pessoa preocupada com coisas que não possuem valor eterno, que passam rapidamente, como a beleza, a juventude (nesse caso se encaixa a explicação do "vá idade"), os bens, e em alguns casos até a vida humana .
É interessante notar como as igrejas de hoje gostam de detonar com qualquer pessoa que se mostre um pouco mais vaidosa, sem perceberem que estão cercadas de vaidade por todos os lados, inclusive pelo lado de dentro.
"Não usem jóias, não cortem, não vistam, não pintem, não mudem, não furem, não mostrem..." e mais um mundo de regras inventadas para manter sob rédeas curtas o povo que ainda não viu a portentosa vaidade dos que lhes ensinam essas coisas. Sim, porque se analisarmos o mundo à nossa volta, de acordo com a Palavra de Deus, tudo é vaidade! E se não se pode usar ou fazer isso ou aquilo porque é vaidade, então nem mesmo viver seria permitido! Se considerarmos todo tipo de vaidade como prejudicial, então não nos resta mais nada nessa vida, porque tudo é vaidade.
O mesmo Sr. Santidade, que diz ao povo: "não usem jóias, é vaidade!", usa gravata constantemente. Para que serve uma gravata? Pra segurar o pescoço? Não! Serve para demonstrar status, para adornar, para embelezar. Mas se a beleza é vaidade, porque é passageira, então a nova regra deveria ser: "não usem gravatas, é vaidade!" Além da gravata utliza-se ainda o prendedor de gravata, que é tão cheio de vaidade quanto a própria gravata. Isso sem falar nos botões na manga do paletó que não servem pra nada, nos detalhes nos sapatos, nos relógios de variados modelos, nas golas das camisas, nas cores mais diversas das roupas, no perfume (que poderia ser substituído por um antitranspirante sem fragrância alguma), no sabor do creme dental, e mais uma dezena de coisas vãs, que não servem para outra coisa senão para EMBELEZAR, ENVAIDECER!!!
Por falar em embelezar, podemos também nos lembrar que essas ordens contra a vaidade, normalmente emanam de templos luxuosos, com paredes bem pintadas, poltronas confortáveis, móveis caros e limpos, tribunas entalhadas, ou de vidro caríssimo, telões de última geração, microfones profissionais, câmeras de televisão e mais uma série de coisas que, se pararmos para analisar, são vãs, não porque não tenham utilidade, mas porque sobreviveríamos sem elas se nos acostumássemos, e também porque são tão passageiras quanto o tempo.
Não sou contra o uso de nada disso que citei. E também não acho que deveríamos viver em uma sociedade sem parâmetros, sem limites. Porém, penso que não podemos proibir o ser humano de ser vaidoso, porque isso é o que somos. Buscamos coisas vãs o tempo todo, nos sentimos bem em fazê-lo. As próprias regras contra a vaidade não passam de uma busca vaidosa do homem pelo poder de dominar e controlar. Acredito que, assim como tudo, a vaidade em excesso causa problemas, mas quando não há vaidade alguma, então não há mais vida humana.
Se ainda se pretende manter o povo sob um jugo de "não toques, não manuseies", então deveriam arrumar outra desculpa, porque essa da vaidade já tá furada... usar isso ou aquilo pode causar problemas sim, mas não por causa da vaidade. Se a vaidade está em tudo o que fazemos, inclusive no universo em que vivemos, então, não podemos fugir dela, temos que aprender a controlar os sentimentos que nascem à partir dela, isso sim. Assim como a inteligência em si não é má, mas pode produzir remédios ou armas, também a vaidade, em essência, não é má.
Se pararmos para pensar, até mesmo as nossas boas obras para com Deus se tornam vaidade mais cedo ou mais tarde... sim, veja bem, se somos salvos pela Graça, e se toda a bondade que podemos manifestar não passa de trapos imundos diante de Deus, logo, nossas boas obras são inúteis no sentido de não conseguirem nos elevar a um novo nível de existência, portanto, são vãs, são vaidade. No tribunal de Cristo, quando formos provados para recebermos o nosso galardão segundo as obras que fizermos, ficaremos supresos em descobrir que as que mais valorizávamos não passaram de palha no fogo. É claro que algumas obras produzem frutos eternos, e por isso, jamais serão inúteis, serão recompensadas, mas se olharmos com atenção, são bem poucas...
O jugo da "não-vaidade", não pode ser lançado nos ombros de ninguém. Porque todos nós somos vaidosos. O alvo, na verdade, é encontrar o equilíbrio, onde não somos belos por causa do nosso exterior bem adornado, mas sim por causa do que há de fato em nós. Isso, porém, não nos impede de sermos belos, vaidosos exteriormente, pelo contrário, ser bonito por dentro e por fora é muito melhor do que ser bonito só por um lado... se posso ser os dois, então, porque não?
O que não podemos, em hipótese nenhuma, é deixar que a busca pela beleza exterior diminua a intensidade da busca pela beleza interior. Mas inventar proibições não levará ninguém a lugar nenhum. Só julgamos a vaidade de alguém com base no que achamos ser exagerado, mas isso é muito relativo, usar calça pode ser a moda de hoje, mas se amanhã a moda for usar vestido? Proibiremos as mulheres de usarem tal peça e as obrigaremos a usarem calças? E quando a moda mudar de novo? Mudaremos as regras outra vez? No final das contas, ser preocupado com a aparência, ou ser preocupado com a vaidade alheia, são coisas que não produzem frutos eternos, portanto, são passageiras, são apenas...




Vaidade de vaidade... então.... pra quê se preocupar? Tudo é vaidade!

sábado, 4 de julho de 2009

A Tradição e a Submissão





"Talvez a humanidade, ao rebelar-se contra a tradição e a autoridade, tenha cometido um erro gravíssimo; erro esse que não será menos fatal porque a corrupção dos investidos de autoridade o tornou perfeitamente justificável."




C.S. Lewis - Milagres - Um estudo preliminar








Se formos sinceros teremos que admitir: NINGUÉM gosta de se submeter... até mesmo aqueles que sentem algum tipo de prazer desequilibrado em ser submisso, em algum momento põem as garras para fora e dizem: "Hei! Já chega! Cansei de me submeter!"
A humanidade, por outro lado, de um modo geral, sempre viveu bem com a idéia de ser submissa. A massa, o povão, nunca achou ruim ser controlado por um líder. Às vezes surgiam umas revoltas aqui, outras ali, mas no fim, essas revoltas não serviam para acabar com a liderança em si, mas sim com algum líder indesejado. Matavam-se reis, usurpavam-se tronos, conspirava-se contra a tirania, conspirava-se contra a democracia, mas no fim das contas, assim que um líder era cortado, outro surgia naturalmente.
A submissão era o meio pelo qual a religião e a política seguiam os mesmos parâmetros por longos períodos de tempo, ou então sofriam mudanças de forma rápida. Se o poder político e/ou religioso se concentrava nas mãos de poucos, então não era necessário ocorrer uma mudança em cada homem sobre a terra para que o sistema fosse modificado, ou confirmado. Bastava apenas mudar a mente dos poucos detentores do conhecimento e estava feito, as alterações ou confirmações de todo um sistema, seriam rapidamente passadas para a massa como lei/dogma, e não haveriam grandes discussões.
Assim, se por um lado, a tradição e a autoridade inquestionável, garantiam que bons valores, e bons métodos se perpetuassem seguramente, por outro lado, tornava possível a corrupção rápida e implacável desses mesmos valores e métodos.
Quando a humanidade começou a perceber as desvantagens da tradição/autoridade, surgiram pensadores que levaram o povo, a massa, à uma revolta, à uma mudança, extremamente necessária, mas ao mesmo tempo, extremamente perigosa. Para esses pensadores, o homem não poderia ter seus pensamentos guiados por outros. Esses pensadores nos ensinaram a descobrir a verdade pessoalmente, e com métodos pessoais. Isso trouxe uma liberdade jamais experimentada pelos homens, mas também trouxe uma era onde até mesmo a mais simples verdade, sobre um fato corriqueiro qualquer, tornou-se praticamente desconhecida.
Milhares de milhares falam das mesmas coisas, mas com interpretações diferentes. É extremamente importante exercitarmos nossa mente, nosso raciocínio. Mas nem todos os homens são capazes de carregar essa responsabilidade. Alguns homens vivem em circunstâncias, onde tudo o que podem saber é o que ouvem, e simplesmente estão impossibilitados de verificar se é verdade ou não o que ouvem todos os dias.
O fato de milhares de pessoas acreditarem que a Verdade é diferente para cada um, por isso cada um tem a sua e não pode interferir na do outro, não torna a Verdade menos real, menos forte, menos exata, e menos distinta de qualquer coisa que lhe seja contrária. A Verdade sempre será a mesma, nela não há sombra de variação e nem qualquer distorção.
Não importa o quanto eu acredite que a gravidade não existe, ela continuará aqui, e em todo lugar, da mesma forma como sempre esteve, continuará exercendo sua força sobre mim, quer eu goste ou deixe de gostar, quer eu acredite ou não. Assim é a Verdade, quer eu a conheça ou não, quer eu dê crédito a ela ou não, ela sempre permanecerá a mesma, sempre me confrontará, quer eu goste ou não.
O modelo de sociedade na qual vivia o homem antigo, amarrado à tradição e à autoridade, já não satisfaz mais ao homem moderno, já não basta ouvir sobre a verdade, cada um deseja alcançá-la com as próprias forças, com os próprios métodos, e, bom seria se todos a alcançassem realmente. Mas não é isso o que temos visto. Cada dia mais surgem novas interpretações, novas "visões" sobre o mundo e a verdade que o controla. Surgem céticos extremistas, que duvidam até mesmo da existência de qualquer realidade, e crentes extremistas, que se apegam a qualquer calafrio como se fosse a maior experiência mística da humanidade.
Se surgem tantas "verdades", e sabemos que toda verdade exclui o que lhe é contrário, então o que temos visto surgir não são verdades, mas sim distorções, mentiras, enganos, uns mais intensos, outros mais superficiais, mas todos, enganos.
A verdade é que as pessoas não estão na busca pela Verdade Pura, antes, buscam idéias e doutrinas que se conformem a si mesmas, tornando seus erros mais "certos", e seus defeitos mais "aceitáveis". No fundo, o homem sabe que a verdade só pode ser uma, e que reconhecer essa Verdade os obrigaria a assumir uma posição de "amigo" ou "inimigo", por isso, buscam ilusões.
Abandonar a tradição e a submissão já foi uma necessidade, mas agora que conseguimos, se nossa mente continuar como a mente de alguém tradicionalmente submisso, não estaremos melhor que antes, pelo contrário, estaremos andando para trás, pois antes pelo menos tínhamos quem nos guiasse, e agora vivemos cada um do seu jeito, e o que é pior, na maioria das vezes do jeito errado. Se queremos continuar livres das antigas algemas, então precisamos desenvolver uma mente ágil, sincera, aberta, e aí finalmente encontraremos a Verdade, e como ela é Una, chegaremos todos juntos e em segurança ao mesmo bom lugar de paz. Se a humanidade, porém, insistir em permanecer com a mente pequena, fuigr da tradição e da autoridade será apenas uma desculpa para não se conformar com a realidade que muitas vezes mostra nossos erros e nossas fraquezas sem qualquer piedade.
Mas, antes de terminar, ainda fica na minha cabeça uma dúvida: será que todos os homens são capazes de ter uma mente que consegue encontrar a verdade por conta própria? Ou ainda, será que os que necessitam de guias e mestres, algum dia deixarão de existir? A resposta para essa pergunta é difícil, por que de uma forma ou de outra nos leva a outra questão muito mais polêmica: somos todos iguais?
Bom, não tenho a resposta para essas perguntas, mas sei que não podemos ficar sobre o muro da indecisão entre a tradição e a descoberta, porque se ficarmos, todos correrão para uma direção diferente, e quando o inverno violento do individualismo chegar, morreremos todos sozinhos e gelados, tão longe da Verdade que talvez nem mais possamos lembrar o que essa palavra significa.

Todo Mundo Acha, mas Ninguém Sabe...



"Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode alcançar a obra que se faz debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a buscar, não a achará; e, ainda que diga o sábio que a virá a conhecer, nem por isso a poderá alcançar."



Eclesiastes 8.17






Já faz um bom tempo que as coisas de Deus me deixam intrigado. Quando eu digo "as coisas de Deus" estou querendo falar de tudo o que nos cerca. Sabe, quem consegue olhar para o mundo e não ficar de boca aberta com as coisas que vê? Se você é cristão e criacionista (acredita que tudo foi criado por Deus exatamente como está descrito em Gênesis), com certeza você olha pra tudo isso e fica pasmo com a grandeza da sabedoria e beleza da mente de Deus. Se você é evolucionista (acredita que lentamente as espécies foram sofrendo transformações até que chegassem a ser como hoje) com certeza não fica menos impressionado com toda espécie de vida que nos cerca.
Qualquer olhar sincero sobre o universo pode detectar uma infinidade de coisas incompreensíveis, lindas, fascinantes. Em todo lugar nós podemos encontrar explicações diferentes sobre o mesmo tema. Até mesmo quando acontece um acidente de trânsito, na presença de várias testemunhas, ouvimos praticamente uma história de cada testemunha. Cada um tem uma teoria sobre a causa do acidente, o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e logo, logo, a história e a polêmica já alcançou vários lugares, e em cada lugar chegou de uma forma diferente. O número de feridos é diferente, o número de mortos também, e às vezes até o número de veículos aumenta!
Isso não quer dizer que todas as testemunhas estão mentindo, mas também não quer dizer que todas estão falando a verdade. "Toda verdade exclui o que lhe é contrário". Ainda no exemplo do acidente, sabemos que ele realmente aconteceu, que pessoas reais estavam envolvidas, e outras pessoas, igualmente reais o presenciaram. O fato é um só, mas a interpretação dos fatos varia de acordo com os olhos de quem o viu. No caso do acidente só pode haver uma verdade sobre o fato, ou morreram 10 ou morreram 2 pessoas. Quem disser que o número de mortos é diferente, mesmo que tenha sido uma testemunha, e mesmo que tenha toda boa intenção, está mentindo.
Acredito que em todas as coisas exista uma verdade, e a união de todas as verdades sobre todos os fatos nos leva a Uma Verdade, absoluta, imutável, eterna. A cada dia que se passa o homem busca incansávelmente conhecer a verdade sobre tudo. Seja através da ciência, através da devoção, da leitura, das experiências místicas, de uma forma ou de outra o ser humano busca conhecer a verdade que está por trás de tudo.
Eu também vivo nessa busca. Para mim existem mais temas sobre os quais eu prefiro ficar calado porque não entendo, do que os que prefiro falar por entender o suficiente. E sinceramente, por mais que possamos buscar, tem coisas que no final de longas jornadas de estudo e dedicação, descobrimos que estamos bem longe de chegar ao Absoluto.
Como o próprio escritor de Eclesiastes deixou claro, por mais que nos empenhemos, e por mais que saibamos que existe uma resposta para tudo, nem por isso chegaremos até ela... A ciência e a religião podem crescer e alcançar níveis nunca imaginados de conhecimento, mas jamais chegarão à totalidade da Verdade.
Acredito que a Verdade seja mais poderosa do que podemos imaginar, e que um dia Ela se tornou carne, e habitou entre nós. Nós a demos um nome (Jesus), e depois a matamos. Mas a Verdade não pode morrer, e por isso Cristo voltou à vida. Por meio de suas palavras encontramos a verdade absoluta, mas nem sempre somos capazes de absorvê-la totalmente. A Verdade já se manifestou entre nós, mas nossa mente ainda não pode compreender tudo o que essa verdade representa realmente. Só podemos por enquanto, absorvê-la lentamente, conforme a capacidade que nos é dada pelo Espírito Santo de Deus, e, na medida do possível, acho que ainda podemos tentar descobrir as frações da verdade espalhadas pelo Universo com o conhecimento que temos sobre ciência, para quem sabe, aporveitarmos melhor a criação ao nosso redor.
Criei esse blog pra falar de assuntos que eu acho interessante mas que são, na maioria das vezes assuntos polêmicos, que geram muitas perguntas e debates. Já que não vamos mesmo chegar na verdade absoluta enquanto estivermos nessa vida, então pelo menos podemos discutir sobre o que já sabemos...
Mas, mesmo depois de discutirmos muito, de comentarmos, de respondermos, ainda assim chegaremos em uma verdade avassaladora sobre os nosso frágeis conhecimentos a de que:


"Todo mundo ACHA, mas ninguém SABE..."